Filme | X-Men: Fênix Negra encerra dignamente a era Fox

X-Men: Fênix Negra (2019) Action, Adventure, Sci-Fi | 1h 53min | 6 June 2019 (Brazil) 6.1
Director: Simon KinbergWriters: Simon Kinberg, Stan LeeStars: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer LawrenceSummary: The X-Men. Protectors of peace. Jean Grey is one of the most beloved X-Men. But when a mission goes wrong, Jean is exposed to a dark and ancient power. This power has destroyed everything it comes in contact with, until her. Now that this power is becoming unstable, she releases it with destruction and anger. Now that this foreign power is consuming her, and the world is threatened, the X-Men have to face an important truth: they must save either the world, or their friend who threatens it.

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No final dos anos 90 e início dos anos 00, querendo ou não, começou a hegemonia de heróis Marvel nos cinemas. Primeiro com o Blade(1998), depois o primeiro filme dos Xmen,  Xmen: O Filme(2000), seguido de Homem Aranha(2002) do Tobey Maguire e depois com o Hulk(2003) e depois entre erros e acertos chegamos no já conhecido MCU.

Uma coisa que todos esses filmes da Marvel têm em comum, é o fato de nenhum ser da Marvel.  Pois é! Depois de ter passado uma crise financeira braba, a melhor solução foi vender direitos de vários personagens para virar adaptação de cinema. Mas isso está virando história, agora que a Marvel está “trilhardária” com o grande sucesso do MCU e está adquirindo, se não os direitos de volta, as empresas detentoras de seus personagens, o que foi o caso dos Xmen, que estavam nas mãos da FOX, assim como o Quarteto Fantástico, mas isso é assunto para outra hora. Mas assim como o primeiro ciclo dos filmes dos mutantes mais amados da Casa das Ideias, acabou com a Fênix Negra, esse ciclo também se encerra assim.

Pra quem é leitor de quadrinhos sabe — ou deveria — que a Saga da Fênix Negra, criado por Chris Claremont e John Byrne no final dos anos 70, foi um marco não só para o cânone dos Xmen, como também para a narrativa visual como um todo. A história é repleta de subtramas, discussões de aspectos morais e éticos do comportamento humano (mutante) dado à corrupção pelo poder, sendo muito mais que uma história padrão de super-herói e que dava indícios que as histórias em quadrinhos eram e poderia ser ainda mais, densa e didática, tal qual um romance.

O filme começa na década de 70, com a pequena Jean Grey(Sophie Turner) passando pelo maior trauma de sua vida, a perca da família, mesmo motivo que a leva a conhecer o Professor Charles Xavier(James McAvoy). Após isso somos transportados para a década de 90, onde os X-Men são incumbidos pelo presidente, de salvar uma tripulação de ônibus espacial que sofreu avarias na saída da órbita terrestre. Durante o resgate complicações acontecem, o que faz a Jean receber uma alta carga do que se pensa ser radiação solar, mas mesmo assim a missão é um sucesso.

De volta à Terra, os X-Men são tratados como heróis, status que sempre lutaram para alcançar e que agora fazem o máximo para preservar, pois como dito no próprio filme “basta um erro” para eles perderem tudo que conquistaram. Depois de todo o ocorrido com a radiação solar, Jean Grey parece estar bem mais forte do que jamais esteve, o que vai ser a causa de todos os problemas futuros para toda a equipe e que é um risco enorme para toda humanidade.

Os X-Men carregam em sua história cinematográfica, o estigma de vários filmes contestáveis— leia-se ruins, só lembrar do Confronto Final— e baseado nisso, há uma desconfiança nessa última produção da FOX. Nada mais justo, não acham?! Mas dessa vez o espectador, novo ou antigo dos filmes desses heróis podem esperar algo diferente.

Sem tentar usar da já gasta “fórmula Marvel” de fazer filme, X-Men: Fênix Negra aparece com luz—e trevas— própria, trazendo um “quê” de originalidade e dá até um certo vislumbre do que poderiam ter sido os outros filmes, se tivessem se esforçado e colocado um pouco mais de empenho em suas produções. O filme tem um tom de urgência, pode ter sido por conta das refilmagens, e peca em não desenvolver certos personagens como a vilã Vuk, belamente interpretada pela Jessica Chastain, ou dar uma explicação melhor para a raça alienígena D’Bari e por não explorar mais os poderes e o potencial destrutivo da entidade da Fênix. Ainda assim, o filme consegue manter tudo dentro dos trilhos sem se perder.

Independente do claro protagonismo de Jean/Fênix (Sophie Turner), há uma divisão de importância muito bem distribuída, todos têm seu peso no desenrolar da história, valorizando mais ainda a equipe e claro o elenco que é composto por Tye Sheridan (Ciclope), Jennifer (Mística), Michael Fassbender(Magneto), James McAvoy (Charles Xavier), Kodi Smit-McPhee (Noturno) e Evan Peters como Mercúrio. As atuações entregam o que era de se esperar, mas há destaque para Turner e Chastain, que foram um pouco além do necessário.

Apesar do distanciamento dos gibis, o filme perpassa certas nuances que tornaram a obra original um clássico (ainda dizem que a Marvel não tem clássicos), tais como, valores dos relacionamentos, a importância da família (mesmo não sendo biológica), o valor da confiança e da verdade, respeito às diferenças e claro a união, que é o grande motivo dos X-Men serem a equipe mais importante do universo Marvel.

A trilha sonora composta pelo mutante Hans Zimmer casa perfeitamente bem com a proposta do filme, porém se torna cansativa pela sua onipresença, por implementar um clima de tensão e perigo quase que o tempo todo.

X-Men: Fênix Negra marca o fim da era dos mutantes na Fox de forma digna, assim como a equipe merecia há tempos. O filme diverte, mas não por suas poucas cenas cômicas, e sim por ser divertido por si só, com um roteiro fluido e com uma produção que sabe bem suas limitações e não tenta ser épico, apenas divertido.  Visualmente bonito e instigante, vale a pena ir ao cinema, mas não dê preferência o 3D, não agrega em absolutamente nada, até chega a atrapalhar em alguns momentos.

Acaba-se um era para se iniciar uma nova, vida longa e prospera aos filhos do átomo.

 

MINHA NOTA: 7